Você já sentiu o coração acelerar e a mão suar antes de uma reunião importante ou sentiu uma intensa inquietação e a mente disparar em pensamentos de "e se" na véspera de uma decisão difícil?
Isso é ansiedade e ela é importante, ela cumpre uma função. Ela nos prepara para lidar com desafios reais. É como um alarme que aponta para algo importante.
O problema começa quando esse alarme passa a tocar sem parar, mesmo diante de situações comuns do dia a dia gerando preocupação constante, tensão muscular, insônia, medo de errar, sensação de estar sempre em alerta.
Quando esses sinais se tornam frequentes e desproporcionais às situações vividas, a ansiedade deixa de ajudar e passa a atrapalhar. Entender por que isso acontece é o primeiro passo para lidar com ela de um jeito diferente.
Por que a ansiedade se mantém
Um dos achados mais consistentes na pesquisa sobre ansiedade é que ela raramente se sustenta sozinha: ela é mantida por um ciclo.
Um pensamento de ameaça gera desconforto físico e emocional. Para aliviar esse desconforto, buscamos estratégias de alívio que, no curto prazo, funcionam muito bem. E o ciclo se repete: a ansiedade gera desconforto, o desconforto pede alívio.
Imagine uma reunião importante se aproximando. Os pensamentos surgem: "e se der errado?", "e se eu não conseguir?". Para aliviar a tensão, você relê a apresentação dez vezes, pede a opinião de várias pessoas, confirma tudo de novo. O alívio vem, a reunião acontece, e sua mente aprende que, de fato, precisava se preparar daquele jeito. E o ciclo se fortalece e se repete.
Identificar este padrão, entender as pecinhas que compõe o ciclo é o primeiro passo para mudar este funcionamento.
Quando a ansiedade tem raízes mais antigas
Em muitos casos, a ansiedade não nasce só de pensamentos do momento. Ela pode estar ligada a padrões emocionais construídos ao longo da vida.
A Terapia do Esquema chama esses padrões de esquemas, que são crenças profundas sobre si mesmo e o mundo, formadas em experiências em que necessidades emocionais básicas (como segurança, aceitação ou autonomia) não foram supridas de forma consistente.
Uma pessoa que cresceu em um ambiente instável, por exemplo, pode ter aprendido que precisa estar sempre em alerta para evitar que algo ruim aconteça. Na vida adulta, isso pode aparecer como uma ansiedade intensa diante de qualquer sinal de insegurança, levando a estratégias pouco saudáveis, como o perfeccionismo ou uma visão muito pessimista da vida.
Esses padrões costumam aparecer com mais intensidade justamente onde há mais exigência: no trabalho, nos estudos, nas relações mais próximas. É ali que a necessidade não suprida na infância volta a se manifestar, mesmo que a pessoa já não more mais naquele ambiente de origem.
Reconhecer esse funcionamento, entender de onde ele veio e, aos poucos, atender à necessidade emocional por trás dele é parte central do trabalho na Terapia do Esquema.
Um primeiro passo possível
Você não precisa compreender e mudar o ciclo inteiro de uma vez. Um primeiro passo é simplesmente identificar o pensamento antes de agir sobre ele.
Da próxima vez que sentir a ansiedade disparar, tente se perguntar: isso é um pensamento ou um fato? Pensamentos como "vou ser mal avaliado" ou "algo vai dar errado" parecem verdades, mas são só previsões, nem sempre confirmadas pela realidade.
Só essa pausa, de reconhecer o pensamento como pensamento, já ajuda a não entrar no ciclo de forma automática. Não elimina a ansiedade na hora, mas abre um pequeno espaço entre o pensamento e a reação, e é nesse espaço que as mudanças começam.
Quando procurar ajuda
Se a ansiedade estiver interferindo nas suas relações, no trabalho, no sono prejudicando sua qualidade de vida de forma constante, vale considerar apoio profissional.
O tratamento psicoterapêutico pode contribuir muito para o entendimento do ciclo e dos esquemas. Tendo mais clareza sobre seu funcionamento, você poderá construir estratégias mais saudáveis para lidar com sua ansiedade e com o que está por traz dela.